Direitos reprodutivos: Hayley defende papel da indústria musical

Recentemente, a Billboard convidou uma série de artistas da música para falar sobre ações que devem ser tomadas nesse meio após a Suprema Corte dos EUA derrubar a decisão que garantia o direito ao aborto, popularmente conhecida como Roe contra Wade, devido à questão judicial de 1973, anulada agora, em 2022.

Confira a tradução completa das palavras que Hayley concedeu sobre o assunto à revista!

Cresci no extremo Sul, onde absolutamente não havia separação entre a igreja e o Estado. Minha mãe não me criou com uma mente tão fechada, embora eu tenha crescido na igreja. Apenas senti que meu ponto de vista não se encaixava em vários quesitos. Agora, na indústria da música e com amigos de todos os lugares, é muito mais fácil de aprender. Aprendi muito com minha amiga Beth [Cosentino] do Best Coast, e sinto que ela me auxiliou muito a me expressar e estar preparada para as consquências disso.

Queria que alguém tivesse me aconselhado antes que eu poderia me expressar contra o poder, e sim, isso vem com consequências e com pessoas virando as costas para você, mas é assim que acontece o progresso. Tenho muita ansiedade, e quando uma das maiores manifestações de mulheres estava na cidade, eu estava passando por um divórcio – não era nem o meu divórcio ainda, era tipo um término horrível na mesma separação – e eu estava pensando: “Não posso ir”, e conversando com a Beth, “Sinto que se eu disser sobre alguma coisa, mesmo que eu saiba que é certo, me afetará e eu não conseguirei lidar com isso”. A confiança em falar sobre essas coisas é como um músculo. E também uma lição contínua. Você tem que estar preparado para estar errado e ser redirecionado. Tem que estar disposto a perguntar muito e achar meios e pessoas para se juntar. Estou aprendendo exatamente agora que o melhor e menor caminho é direcionar pessoas a A) aqueles que são mais inteligentes do que eu, mas também B) a pessoas que realmente fazem o trabalho diariamente – obviamente, Planned Parenthood e American Civil Liberties, mas agora está ficando cada vez mais óbvio que precisamos ir ainda mais fundo.

Sendo mulher e do Sul, acredito ser importante falar sobre as coisas, pois há muitas pessoas abandonadas, e você precisa estar preparado para conduzi-las a uma ajuda de verdade. Estou com foco na Abortion Care do Tennessee, que é aqui em Nashville, e na Reproductive Freedom Fund de Mississippi.

Sei que nossos shows são como um espaço seguro para as pessoas. Mas agora a responsabilidade será de orientar as pessoas ao que elas podem fazer. Também não é apenas sobre quando estou no palco. É sobre “Em que cidades estaremos? O que está acontecendo nessas cidades? Ok, vamos parar em Mississipi, e o que vamos fazer nesse show, seja de forma monetária ou nos associando e colocando a mão na massa?”. Não entendo o ponto de viajar ao redor do país se não existir um propósito maior do que apenas suar de uma hora e meia a duas e sair com aplausos. É sobre fornecer meios aos nossos fãs. É dizer para a equipe que temos que fazer melhor.

Enviei uma mensagem a um dos nossos agentes de turnê semana passada e foi tipo “Precisamos de uma reunião sobre o que o UTA [Agência de Talentos Unidos] fará em uma grande escala, sobre o que a Live Nation e esses promotores podem fazer.” Porque as bandas farão o que eles puderem. Se eles estiverem na luta, farão o que conseguirem, mas também precisam de um apoio para continuar lutando.

Fonte / Tradução e adaptação: equipe do Paramore BR