Everything is Emo: Episódio 01

No primeiro episódio de seu podcast “Everything Is Emo”, em parceria com a BBC Sounds, Hayley relembra as origens e os clássicos do emotional hardcore, passando por Jimmy Eat World, Panic! At The Disco e My Chemical Romance. Confira, abaixo, o resumo do primeiro episódio!

A Praise Chorus (Jimmy Eat World)

Eu amo Jimmy Eat World e eles precisavam ser a primeira banda. Nós crescemos ouvindo Jimmy Eat World. Eu me lembro de estar em um acampamento de verão e aconteceria um show de talentos e a gente tocou uma música da banda, tentando imitá-los. Eles lançaram o “Bleed American” e o álbum foi um sucesso.

Tínhamos a idade perfeita para acompanhar, estávamos na escola e nos videoclipes mostravam aquelas festas… Eles pareciam que eram os nerds da escola, assim como a gente, e agora fazem parte dessa banda muito legal, fazendo grandes shows e aparecendo na MTV. A gente amava tudo o que eles lançavam.

Isso me lembrou de estar em um carro com os meninos, dirigindo por Nashville, sendo adolescentes e descobrindo o mundo pela primeira vez, e o “Bleed American” era a trilha sonora daqueles momentos e sentimentos. Não existe uma época da minha vida em que o Jimmy Eat World, de alguma forma ou outra, não tenha feito parte.

A minha irmã mais nova dirigia comigo e a gente ouvia o “Bleed American”, era o nosso álbum. Então, eu a levei ao Reading + Leeds, pois eles iriam tocar lá e falei para ela: “Você precisa vê-los nesse festival”. Ser capaz de levá-la para ver uma das nossas bandas favoritas junto com uma multidão é um dos destaques da minha vida, seja enquanto irmã ou como fã de música. 

I Write Sins Not Tragedies (Panic! At The Disco)

O Panic! e o Paramore surgiram quase que na mesma época, éramos da mesma gravadora e no mesmo ano. Eles estouraram de maneira tão rápida que eu me lembro de pensar: “Nós vamos ser dispensados, pois não estamos indo bem daquele jeito”. Eles estavam em todos os lugares: você não conseguia ligar o rádio ou assistir a um canal de música sem ver aqueles vídeos icônicos.

Ainda, eles trouxeram o teatro em cena. A gente participou de um festival chamado “Give it a Name”, em 2005 ou 2006, e eles tocaram um cover do Radiohead ou do Beatles no piano. Foi nesse momento que eu percebi que eles não seriam apenas um fenômeno repentino. São grandes músicos, com grandes performances, e passei a ter um novo nível de respeito.

Álbum do episódio 01: Twilight Original Motion Picture Soundtrack

Eyes on Fire (Blue Foundation)

Em cada episódio, eu irei escolher um álbum que significa muito para mim ou para o gênero e colocá-lo para reproduzir em ordem aleatória.

A trilha sonora de Crepúsculo se tornou muito importante. Ninguém sabia do fenômeno que a franquia viria a ser. Fazer parte dela parecia ser o maior acontecimento da época. Eu me lembro de ver os personagens e pensar comigo mesma: “É como se estivessem fazendo cosplay de emo – Eles estão divulgando isso em uma telona e elevando a ideia de como a geração emo se parecia. Principalmente por conta da palidez. Eu sou transluzente como um vampiro!”.

Such Great Heights (The Postal Service)

As minhas mãos estão no meu coração’. Eu amo esse álbum [Give up, do The Postal Service], que foi muito importante para a época. Para mim, foi quando o emo e a cena underground começaram a experimentar de um jeito bom. Tipo: “Eu esqueci que esses sintetizadores, drum machines e componentes eletrônicos existiam… podemos colocar isso em nossas músicas”.

Foi algo muito corajoso para a época. Eu me lembro de estar dirigindo o meu primeiro carro, que comprei da minha mãe, por 3 mil dólares, com o meu primeiro salário, pelas ruas de Franklin. As janelas abaixadas e esse álbum tocava. Eu consigo me ver parada em um semáforo, ouvindo “Such Greath Heights”, muito animada por estar ouvindo a minha música, que marcou uma era da minha vida.

Wet Dream (Wet Leg)

Uma das bandas mais emocionantes atualmente. Quando recebi a ligação me convidando para apresentar o programa, a primeira coisa que eu pensei foi no Wet Leg. Existem tantas músicas boas saindo do Reino Unido ultimamente que eu tenho que tentar resumir. O Wet Leg é composto por duas melhores amigas e você percebe que elas estão se divertindo muito. Se estiverem me ouvindo, eu amo a sua banda e vocês são demais. Por favor, não parem nunca e não deixem de se divertir.

O Paramore ama trazer para a turnê bandas as quais a gente é fã. Existe uma convicção de sempre estar rodeados por pessoas que nos inspiram e por boas vibrações. É difícil estar na estrada e existem tantas bandas que eu penso: “Mal posso esperar para ver se eles aceitam participar da turnê com a gente e ouvi-los toda noite”. O Wet Leg é uma dessas bandas.

Álbum do episódio 01: Twilight Original Motion Picture Soundtrack

Shuffle: Leave Out All the Rest (Linkin Park)

Essa música é tocada quando o Edward salva a Bella (o que acontece diversas vezes durante o filme). Eu me lembro de estar no cinema e, quando esses momentos aconteciam, os fãs ficavam muito eufóricos.

Maps (Yeah Yeah Yeahs)

Possivelmente a minha música favorita da playlist de hoje. Eu não consigo dizer o suficiente dessa banda, o quanto me influenciaram em algumas músicas do Paramore. O Yeah Yeah Yeahs não fez parte, necessariamente, da cena emo. Mas sinto que, com “Maps”, os emos conspiraram para adotar o Yeah Yeah Yeahs como sendo um de nós. É uma música tão emocionante, tão linda e de quebrar o coração, o que faz o meu tipo. Eu não gosto de tocar músicas melosas, prefiro as que te perfuram. Esse álbum [Fever to Tell] foi um divisor de águas para mim. Ver uma vocalista como a Karen O mudou a forma como eu me expresso, o meu senso de moda, o modo como eu componho. Ela me impactou mais do que eu imaginava na época.

Eu tinha uma foto dela em minha área de trabalho, no computador que utilizava para escrever e fazer trabalhos de escola. Naquela época, você era sortudo se tivesse um computador em casa. Eu utilizava o computador todas as noites: escrevia poesias, ouvia músicas, conversava com os meus amigos pelo Instant Messenger. E o Yeah Yeah Yeahs era uma das trilhas sonoras escolhidas. Até mesmo quando estava compondo minhas músicas, eu colocava músicas deles de plano de fundo.

Depois de ver algumas fotos deles no SXSW, eu passei a usar um cinto rosa que a minha mãe utilizava na faculdade, na década de 80. Era dividido em dois e tinha que colocar um cinto de rebite por cima. Junto com uma meia calça por baixo dos shorts ou da saia. Apenas queria imitá-la da melhor forma que conseguia.

Avançando para os dias atuais, estava em um show das filhas de nossos amigos. A banda se chama The Linda Lindas e Carlos, nosso amigo e produtor, bateu no meu ombro e disse: “Karen O está ali. Kim Gordon também”. Eu disse: “Não! Eu não posso conhecê-las, não posso”, e saí. Não importa há quanto tempo esteja na indústria musical, os meus heróis continuam sendo os mesmos. Não quero que essa bolha se rompa.

The Taste of Ink (The Used)

Essa banda é a perfeição. Eu amo o The Used. Eu me lembro de ser uma jovem adolescente assistindo “The Osbournes” na MTV. Eis que surge o Bert. Ele parecia um cara muito legal e eu pensei: “Eu quero conhecer um cara como ele”. Minha mãe não ficava muito empolgada com isso.

Para quem nunca assistiu “The Osbournes”, Bert era o namorado da Kelly na época. Eu sei, uau!… O programa foi um marco para o começo dos anos 2000, para a história do pop punk e do emo. Mas o The Used merece um tópico só deles. O The Used não somente veio e ocupou o lugar daquilo que conhecíamos como emo/underground, eles o transformaram. Apareciam a toda hora na MTV, no rádio, com aquelas melodias inesquecíveis.

O Paramore teve a sorte de tocar em alguns festivais com eles, mas sinto que as nossas agendas não coincidiram muito. Nunca tive a oportunidade de ver os shows mais antigos da banda, quando estavam no auge, e me arrependo disso. Deve ter sido algo legal.

Álbum do episódio 01: Twilight Original Motion Picture Soundtrack

Shuffle: I Caught Myself (Paramore)

Gente, não foi combinado, eu juro! Jamais faria isso com vocês, não sou esse tipo de apresentadora!

Essa é uma das minhas músicas favoritas do Paramore. Nós a escrevemos durante a primeira turnê do “Riot!” e o Paramore foi a atração principal da trilha sonora do filme.

Gravamos uma demo e enviamos para a equipe que estava montando a trilha sonora de Crepúsculo, dizendo: “Ei, quando a turnê acabar, vamos gravar em estúdio e vocês podem utilizar a versão real”. Na estreia do filme, enquanto estávamos na plateia, surgiu a cena da Bella comprando o vestido. A gente começou a ouvir as guitarras abafadas, até que, no meio da música, percebemos que eles utilizaram a versão demo. Se você ouvir a trilha sonora, aquela é a versão legítima.

Recomendação da Hayley: Marbles (Lime Garden)

Eu estou gostando muito de uma banda chamada Lime Garden, eu não consigo parar de escutá-la seja no carro ou em casa.

Helena (My Chemical Romance)

Eu não poderia apresentar um programa chamado “Everything is Emo” e não incluir essa banda no primeiro episódio. Eles sempre fizeram o próprio caminho e sinto que são o tipo perfeito de “ponto fora da curva” para o gênero, ainda que várias pessoas (especialmente as mais jovens), quando pensam sobre o gênero, sejam remetidas ao MCR.

Nós participamos da nossa primeira Warped Tour em 2005 e fomos alocados nesse palco estúpido, que mais parecia um caminhão e que balançava sempre que a gente pulava. Éramos novatos e tínhamos que provar o nosso valor.


Depois de algumas semanas de turnê, em Atlanta, estávamos tocando “Here We Go Again” ou “Pressure”, do nosso primeiro álbum e, quando olho para a esquerda, perto de uma cerca de arame, Gerard Way estava lá. Nosso palco ficava no canto do festival e não havíamos pedido para que ele estivesse lá. Não sei se alguém havia falado para ele assistir ao show, mas ele ficou lá durante o show inteiro. Foi a primeira vez que eu pensei: “Estamos vencendo!”.

Eu fiquei tão animada. É legal pensar nisso agora, pois tinha 16 anos na época e MCR era uma banda grandiosa, como se fossem os deuses da Warped Tour. Eu sempre me lembro disso com muito carinho. E também lembro de como eles são pessoas doces, o que é estranho de dizer sobre uma banda punk. Mas eles são demais!

Nos próximos episódios, Hayley irá revelar os motivos que levaram Taylor York a ser abordado por um policial enquanto ouvia Kelly Clarkson, o que o álbum “Blink 182” significa para ela e por que ela se lembra de pessoas chorando na MTV quando ouve Dashboard Confessional.

Você pode mandar uma mensagem ou mensagem de voz para a Hayley, recomendando músicas e bandas, pelo WhatsApp +44 07340 100100. Comece a mensagem com a palavra “Emo”.

Tradução e adaptação: Paramore BR