Teen Vogue: Hayley Williams sobre sua busca por algo real

Com a estreia de seu álbum solo, “Petals For Armor”, Hayley Williams fala à Teen Vogue sobre a sua trajetória até o momento, sua relação com redes sociais e a cena de rock que está, atualmente, sendo conquistada cada vez mais por mulheres. Leia a entrevista na íntegra.

Hayley Williams tem um certo instinto para previsões estranhas. Em 2017, Paramore lançou o politicamente não-tão-imparcial After Laughter, escrito quase todo antes das eleições. Agora ela está lançando um álbum sobre fúria, amor, e o espectro emocional humano durante uma pandemia global. Em Petals for Armor, ela prova que o tempo não é tão previsível quanto sua própria busca por algo real, reflexões e esperança para se agarrar.
“As pessoas ficam muito sintonizadas com seus espíritos quando elas criam algo por necessidade e sobrevivência’’, diz Hayley à Teen Vogue. ‘’Para mim, escrever sobre fúria e desconforto sobre as injustiças que já presenciei foi minha maneira de me manter viva; apreender com a própria dor em vez de ignorá-la. Eu acho – ou pelo menos espero – que as pessoas percebam isso, porque elas sabem que têm a capacidade de fazer o mesmo. Nós podemos passar por todo esse caos e podemos crescer com isso”.
“Todo esse caos’’ é um jeito bem preciso de descrever o que tem sido 2020 até agora. Hayley está soltando aos poucos o seu primeiro álbum solo durante meses bem turbulentos. O álbum completo, que será lançado dia 8 de maio, chega três meses depois do lançamento de ‘’Simmer’’. Nesta pequena janela de tempo, o mundo tem mudado drasticamente. É tudo questão de tempo, mas o lançamento agitado de Petals for Armor – um projeto que flui entre fúria discreta, devastações dolorosas, responsabilidades e esperança – parece amplificar tudo que estamos vivendo neste momento.
“Tem dias que eu nem consigo sair da cama, que estou num lugar sombrio da minha mente, e outros que eu tenho 12 horas seguidas de pura inspiração’’, ela conta sobre seu isolamento social. Ela tem se mantido estável com ligações diárias com seus amigos. O lançamento do seu primeiro disco solo também deu algo para ela se manter focada. Entre as 15 faixas lançadas em três partes, Hayley viaja de alguma forma das baladas pop-punk animadas do Paramore para algo mais íntimo. Ela sempre fez parte de um todo, e agora está tendo a experiência de como é criar algo sozinha.
“Eu definitivamente saí um pouco da minha zona de conforto nesse projeto mais do que nunca’’, diz ela. “Nós aprendemos com o tempo, e estamos abertos para desconforto e crescimento. Eu com certeza senti esse desconforto na produção de Petals for Armor, e isso me trouxe um dos meus momentos que mais tenho orgulho como artista até agora”.
O álbum revela as influências de Hayley e os laços com os vocais únicos de Björk e seu amor por R&B (e a obsessão por artistas como Sade, Solange e SZA). Contam com os riffs eletrônicos justapostos com melodias marcantes e angústias creditadas a Thom Yorke. Em ‘’Roses/Lotus/Violets/Iris’’, Hayley trouxe Phoebe Bridges, Lucy Dacus e Julien Baker como backing vocals – As três estão na vanguarda do rock alternativo atual, um grupo de mulheres que cantam rock liderados em partes por Hayley. Sobre a colaboração, ela diz, “O que mais eu posso dizer a não ser que eu sou a pessoa mais sortuda nessa história?”.
A colaboração parece ser um bom sinal; para Hayley, alguns aspectos sobre a dominação masculina na cultura do rock têm mudado para melhor, e isso vem do trabalho das próprias mulheres, e não necessariamente por ajuda dos homens. “A maior diferença na cultura entre antigamente e agora é que as mulheres estão metendo o f****** mais do que nunca, de todas as maneiras certas”, diz Hayley. “Não é vergonhoso falarmos sobre nosso jeito de pensar e nossas experiências individuais. Claro, ainda temos trabalho pela frente, mais maneiras de evoluir, mas acho que agora na indústria musical, ‘ser homem’ não significa mais simplesmente ‘ter poder’”.
Afinal, ser verdadeira sobre suas experiências foi o que fez Hayley chegar até aqui. Essa honestidade consigo mesma é o motivo de você não vê-la fazendo tantas lives programadas (“só de pensar já me deixa ansiosa”) ou fazendo vídeos engraçados para o TikTok (“Eu já sou velha, cara, não faço ideia do que está acontecendo no TikTok. Meu ‘meio-irmão’ ficou famoso por um tempo no TikTok aparentemente, ele era aquele cara trabalhando no drive-thru do Starbucks em que uma menina fez o pedido cantando”) – mesmo que a sua música “Cinnamon” esteja sendo bastante usada por lá como um efeito sonoro. (Nota: se esse é o vídeo que estamos pensando, todo mundo deveria assistir). Legendas do Instagram compridas tem sido sua mania nesses últimos dias.
Em Petals for Armor, ela mergulha de cabeça em seus sentimentos para criar uma história verdadeira em que as pessoas possam se identificar. Como ela mesma explica, o álbum tenta construir um arco de personagem baseado em suas próprias experiências nos últimos anos – o que inclui o término de um relacionamento de muitos anos e depressão.
“Eu espero que, ao escutar, as pessoas percebam o quanto nós enxergamos as nossas vidas pelas lentes limitadas da ambiguidade, e nós não nos permitimos sermos seres humanos com muitas faces, que é o que somos”. Ela explica. “Nós não estamos só perdendo ou ganhando, às vezes estamos fazendo os dois e tudo que há no meio disso, e isso precisa ser dito”.
Certamente essa é uma mensagem adequada para uma época em que parece que nossos sentimentos oscilam entre pânico e calma todos os dias. “É por isso que o álbum pode começar com a palavra ‘raiva’ e terminar com músicas sobre ‘amor puro’ sem que nenhuma das duas percam sua força”.
Petals for Armor está disponível para compra e streaming.

Tradução e adaptação: Paramore BR