Independent UK: funk distorcido e desorientador marca a evolução da cantora em direção a paz

O jornal britânico Independent, publicou uma review sobre o álbum “Petals For Amor“, e concedeu 4/5 estrelas. Confira a análise traduzida:

A vocalista do Paramore escreveu sua estréia solo após o divórcio, a depressão e o diagnóstico de TEPT (estresse pós-traumático).

O início do Paramore estava cheio de fúria adolescente purgativa. Hayley Williams, com apenas 16 anos quando o álbum de estréia da banda de emo-rock foi lançado, descreveu sua música como “como palavras vomitadas para guitarras”, suas peças cuidadosamente elaboradas são a trilha sonora perfeita para a angústia juvenil. Mas com Petals for Armor, primeiro álbum solo de Williams, “rage is a quiet thing”.

É talvez o melhor verso de abertura – cantado em “Simmer” por cima de uma percussão compostas de respirações, suspiros e um riff de baixo rastejante – de qualquer álbum deste ano. Embora possa parecer, em termos, uma contradição, é evocando uma raiva especificamente feminina – que é constantemente reprimida, suprimida, menosprezada e negligenciada, e que Williams se agarra e transforma.

Lançado em três partes e escrito após o divórcio, a depressão e o diagnóstico de TEPT, o álbum reflete uma evolução – embora não direta – em direção a algum tipo de paz. Na maioria das vezes insular e escasso, com um funk distorcido que parece deliberadamente desorientador, está longe do hino dos shows de estádios do Paramore. Distante do excelente álbum de 2017 da banda, After Laughter, que se lançou nos braços do synth-pop dos anos 80. Em vez disso, em músicas como “Cinnamon” e “Sugar on the Rim“, há algo desconfortável nas melodias de Williams. Como Fiona Apple ou Saint Vincent, ela se recusa a colocar uma característica simples em suas próprias emoções complicadas.

Sudden Desire”, com uma onda de R&B cujo refrão agitado exultante foi inspirado por Björk, se vê ela andando lado a lado com sua própria dor: “Take the elephant by the hand and hold it/ It’s cruel to tame a thing that don’t know its strength … My gentle giant/ Painful reminder”. Também há humor negro aqui. “Nobody tell me that God don’t have a sense of humour“, ela canta por cima de um baixo misterioso em “Leave It Alone“, “‘cus now that I want to live a little, everyone around me’s dying“.

Existem tons de “Vogue” da Madonna para “Over Yet“, que é grudenta e maníaca, como se Williams estivesse correndo a toda velocidade atrás de algo. “Dead Horse“, um dos maiores chicletes do álbum, é precedido por uma nota de voz franca: “Alright, it took me three days to send you this,” she says, “but, sorry, I was in a depression/ I’m trying to come out of it now“.

Petals for Armor não oferecem um caminho de redenção fácil para a felicidade; é um esforço hercúleo para sair da depressão. Mas, mas se nos dedicarmos a esse esforço, Williams criou algo especial.

Tradução e adaptação: Paramore BR.
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