Hayley ao USA Today: “Fazer algo sozinha é empoderador e desafiador”

Em uma breve entrevista ao jornal estadunidense USA Today, Hayley Williams comentou sobre sua quarentena, seu ponto mais baixo de saúde mental, o “Petals For Armor” e o futuro do Paramore! Confira a tradução abaixo.

Hayley Williams sobre seu primeiro álbum solo, seu pior momento e o que esperar do Paramore daqui para a frente.

Hayley Williams só está tentando tirar o máximo de proveito possível da própria quarentena, mas como muitos de nós sabemos, isso raramente acontece.

“Eu quero poder fazer uma entrevista e ser tipo, ‘Sim, estou lendo todos esses romances fabulosos’, diz Williams com uma risada autodepreciativa. Em vez disso, a maior parte do seu tempo tem sido dedicado a maratonar “The Bachelor Presents: Listen to Your Heart’’ (Eu só fico gritando com a televisão) e fazendo comidas (ou talvez, massa derretida em uma forma).

Ela também está promovendo Petals for Armor, que estreia na sexta. É o primeiro álbum completo de Williams como artista solo, depois de mais de uma década sendo a destemida, com cabelos cor de neon, líder da banda de pop-punk Paramore, conhecida pelos sinceros e barulhentos hits “Misery Business,That’s What You Get” e “Ain’t it Fun”. Ela participa de muitas outras músicas, – Airplanes de B.o.B e Stay the Night de Zedd, principalmente – Mas na maioria das vezes com “do Paramore” colado com seu nome.

Agora voando livre como uma artista solo, enquanto Paramore está em hiato, “Eu percebi o quão pouco eu acreditava em mim mesma.” Diz Williams. “Ser parte de algo maior que você é útil. É uma comunidade, tem força em números, e mesmo desde muito nova, isso parecia certo para mim. Fazer algo sozinha é desafiador e empoderador, mas isso também é uma lição que estou disposta a aprender.”

Joey Howard, baixista da turnê do Paramore, e coautor de Petals for Armor, diz que Williams é “incrivelmente corajosa” por se aventurar sozinha.

“Eu admiro o seu senso pessoal forte,” ele diz. “Ela nunca iria admitir isso, mas ela pode tocar em praticamente qualquer instrumento… Ela realmente se jogou nesse projeto, e tem sido muito legal ver ela florescer”

USA Today falou com Williams, 31, por telefone mês passado, enquanto ela fazia quarentena na sua casa em Nashville, Tenesse. Ela fala sobre terapia, Petals for Armor, e o que virá em seguida para Paramore.

Pergunta: Primeiro de tudo, como você tem estado?

Resposta: Estou bem. Eu me perguntei quando tudo isso começou, se eu deveria adiar o álbum, mas eu pensei, “O que eu vou fazer durante esses próximos dois meses sem trabalhar?” Eu sinto que estou segurando isso há tanto tempo que eu já estou pronta para lançar tudo. Eu fiz entrevistas por Skype e ensaios fotográficos por Facetime, então só estamos aprendendo a fazer as coisas de uma maneira totalmente diferente, e isso realmente me ajudou a continuar. Para todos que tem algum tipo de ansiedade, alguns desses grandes problemas mundiais parecem estar tão fora do controle que pode ser paralisante. Então eu sou grata por trabalhar agora.

P: Como alguém que também tem depressão, eu achei meditação e terapia virtual extremamente úteis durante a quarentena. O que tem te ajudado recentemente?

R: Ah, os dias que eu acordo e sei que tenho terapia por Skype eu penso “Ah meu deus, eu quero tanto cancelar.” É como ir à academia ou algo do tipo. Eu definitivamente estava em negação nos primeiros dias, e eu diria que a terceira semana foi a pior para mim: eu não saia do sofá, eu não falava com ninguém, não trabalhava muito. Eu estava chorando bastante e do nada, especialmente se eu assistisse ao noticiário. É terrível! Mas para mim, fazer chá pela manhã (é calmante). Eu faço tipo uma mini cerimônia do chá para mim mesma, onde eu coloco algum tipo de música, acendo um incenso e só sento lá com os meus pensamentos – ou sem pensamentos – e me deixo começar o dia aos poucos. Eu acho começos de manhãs e logo antes de ir deitar os piores momentos, então se eu consigo continuar de qualquer forma, eu fico bem.

P: Tem sido um período criativo?

R: Muitas coisas que eu tenho aprendido não tem relação com música, o que é interessante. Eu deveria ter passado o mês passado e uma parte desse mês praticando minhas músicas em instrumentos diferentes e trabalhando em novos arranjos (para turnê), mas agora em vez disso estou descobrindo o que eu gosto de comer e como é fazer compras para uma pessoa só. É algo tão estranho. Eu não passei muito da minha adolescência e meus 20 anos em casa, então isso é tudo novo para mim. Eu tenho escrito um pouco, mas talvez tenha escrito tanta coisa para o álbum que estou vazia por um momento. Quem sabe?

P: Você recentemente lançou uma música chamada “Dead Horse”, na qual você confessa ter sido “a outra” em um relacionamento passado (com o agora ex-marido,Chad Gilbert do New Found Glory). Como é lançar uma música com uma letra tão confessional?

R: É como se alguém tivesse tirado um tumor de dentro de mim – Eu fiquei bem nervosa sobre lançar isso. Eu sei que não podemos controlar a percepção das pessoas, mas para mim, eu sei o meu lado da história, eu senti muita vergonha, em vez de conseguir aceitar e continuar. Eu sinto como se o meu eu de 30 anos finalmente tivesse falado pelo meu eu de 22 anos que não conseguia falar muitas dessas coisas. Ela não tinha as palavras ou a coragem de se defender. Isso só sou eu aprendendo devagar como cuidar de mim mesma de maneiras diferentes.

P: Você falou sobre como Petals for Armor surgiu da escrita terapêutica que você fazia. Em que momento você percebeu que era mais que um exercício terapêutico, mas sim um álbum?

R: Eu escrevi um poema que acabou se tornando (o segundo single) “Leave it Alone.” Eram só rascunhos que tinha escrito no meu caderno e que se tornaram uma melodia e adicionei em algo que Joey (Howard) havia escrito no baixo. Mas mesmo quando eu estava usando minhas palavras, eu não estava pensando “Vou fazer um álbum”. Levou um tempo. Eu tinha fantasias momentâneas imaginando “Cara isso ia ficar lindo com pessoas cantando junto”. E então, em três ou quatro meses nesse processo, eu estava pensando “estou fazendo um álbum”. E esse provavelmente é o único jeito que eu iria fazer. Eu fui enganada a fazer um álbum solo.

P: Você foi relutante em começar a fazer terapia?

R: Minha mãe dá um curso na universidade de Bellmont em Nashville que é focado em bem-estar e inteligência emocional… E ela estava me falando o tempo todo, até mesmo quando nós estávamos em turnê em 2013 com o self-titled, “Você precisa ir a terapia” Ela sabia de muitos dos meus problemas internos, e coisas que eu tinha acabado de começar a escrever em músicas.

Mas a verdade é que eu não queria que me falassem para sair de um relacionamento que eu sabia não ser saudável para mim. Eu não queria que alguém me empurrasse para aquilo – Eu, por algum motivo, precisava me torturar até o final. Então eu fui bastante relutante por um bom período, e só iria se soubesse que era para escutar o que eu queria. E nenhuma parte da vida é assim.

Então levou mais ou menos até a época que lançamos o After Laughter (em 2017). Eu estava me divorciando e fiquei pensando, “Cara, não posso fazer isso sozinha, eu não sei nem o que estou sentindo; não sei nem como articular”. Teve uma hora que foi tipo “Ok, isso é o fundo do poço, eu tenho que fazer algo”. Foi ao final de 2018, depois de voltar da turnê do After Laughter. Era muita coisa, eu estava ficando muito doente de novo e precisava de ajuda.

P: Seu colega do Paramore, o guitarrista Taylor York foi coprodutor do Petals for Armor. Vocês têm discutido o próximo álbum do Paramore?

R: Nós falamos sobre, com certeza. Falamos sobre quem poderia ser um produtor legal, porque agora Taylor e Zac (Farro, baterista do Paramore) produzem também. E falamos sobre quais estilos queríamos. É engraçado, pois sempre fazemos isso e no final criamos algo totalmente diferente. Me deixa animada porque literalmente seguimos nossos instintos e quem sabe onde vamos parar? Eu acho que foi isso que sempre fez o Paramore existir todo esse tempo.

Tradução e adaptação: equipe do Paramore BR | Fonte