BBC Radio 1 entrevista Hayley Williams sobre seu projeto solo

Junto com o lançamento de “Simmer”, sua primeira música solo, Hayley concedeu uma entrevista à Annie Mac, locutora do “Future Sounds”, programa da rádio britânica BBC, no qual a música foi estreada. Durante a programação, foi revelado que “Petals For Armor” é o nome do álbum, que será lançado no dia 8 de maio. Confira a entrevista traduzida!

Annie Mac: Okay, é com prazer que digo que nós estamos online com Hayley Williams! Olá, oi! Obrigada por falar comigo. Eu estou… Isso é surreal e animador e ah… Bom, nós estamos muito animados e felizes por esse tempo com você hoje à noite. Primeiramente, obrigada.

Hayley Williams: Sim, claro… 

A: Estamos aqui por uma razão incrível e empolgante para os fãs de Paramore e fãs da Hayley: a nova música. Então, antes de eu dar play na Hottest record in the world, tem algo que você queira dizer?

H: Eu acho que vou vomitar! 

A: [risos] 

H: Provavelmente vou vomitar, não sei… [risos]

A: Podemos tocar então? Vamos tocar e então conversamos, okay? Vamos liberar no Hottest record in the world, e não pode ser nada menos… É Hayley Williams e SIMMER na BBC Radio One! 

[Toca SIMMER]

A: É isso aí! Foi isso! SIMMER! Essa foi a nossa Hottest record in the world! Hayley Williams está aqui, online. Então beleza. Temos tanta coisa para conversar, quero te perguntar… Vamos começar sobre esse impulso criativo para você fazer algo totalmente diferente, de onde veio? 

H: Cara, isso realmente me surpreendeu. Eu estava ansiosa para que a banda tirasse um tempo de descanso. Nós meio que chegamos a um ponto em que estávamos “ei, como é tirar um tempo para descansar sem perder um membro da banda? Vamos tentar!”, sabe? A gente estava pronto para experienciar a vida adulta em casa. Crescemos juntos e faz muito tempo que somos amigos. Então voltamos para casa e tivemos que descansar, mas eu também acho que o que rolou, para mim, foi esse estalo de que eu passei por tanta coisa antes de lançarmos o After Laughter… Os problemas ficam e te pegam se você não se der conta deles. Voltamos para casa e a vida se tornou mais calma, tinha muita coisa dentro de mim. Precisei de ajuda, e por isso, comecei a fazer uma terapia mais intensa… Muita terapia! Uma das sugestões de uma das pessoas com quem conversei foi “você deveria estar escrevendo de novo. Isso te ajuda a enxergar o que você está passando”. Tenho a tendência de realmente negar as coisas que sinto e escrever me ajuda com isso, então simplesmente aconteceu. Me lembro de estar tendo problemas em aceitar o que estava acontecendo. Conversei com Taylor, Zac e outros amigos bem próximos sobre isso. Todo mundo estava meio “você faz música, só vá e faça e nós vamos te apoiar, não importa se não for nada ou se for tudo. Apenas faça e vemos para onde isso vai”, obviamente têm muitas coisas no meio, mas hoje, aqui estamos, com essa música. Agora é real e… Eu não sei, ainda estou chocada, mas muito, muito orgulhosa. 

A: Então você seguiu o conselho dos amigos e começou a escrever. Durante esse processo catártico, de só pegar o que estava na sua cabeça e colocar no papel, você teve aquela maravilhosa experiência de ser capaz de olhar para o que você fez… Quero dizer, foi tipo “Okay, é assim que eu me sinto, é isso quem eu sou”. Sempre achei que escrever é tão… tão incrível. Quando você começou a pensar “Vou transformar isso em algo” pensou também se iria chamar as pessoas para tocarem, ou se você mesma ia tocar?

H: Sim, sim! Provavelmente quando eu tinha quatro ou cinco músicas, eu estava: “é, sim…”.

A: “Eu tenho algo! Eu tenho algo”!

H: Isso é alguma coisa! [risos] Eu meio que imaginei que talvez seria um EP, ou algo que só lançaria aleatoriamente, nem ao menos falei sobre isso, só que na verdade, no conselho do Taylor, ele meio que disse: “Eu conheço você e eu sei que você vai querer criar coisas ao redor disso, seja visual ou algum tipo de conversa. Você tem apoio, você deveria fazer isso mesmo, você deveria contar para o nosso empresário”. Então eu liguei para o Mark, que está conosco há 16 anos, durante toda nossa carreira e falei “Então… um álbum!? O que você acha?” e ele, eu juro por Deus, ele realmente não acreditou. Acho que ele pensou que eu estava brincando por uns 5 minutos, enfim, quero dizer, eu não podia negar que isso estava virando algo incrível. Fiz colaborações com o Joey, nosso baixista de turnê, meio sem querer, porque estávamos saindo juntos o tempo todo e então… Eu escrevi um pouco com o Taylor, e foi meio que… Sim, isso simplesmente se tornou real, virou algo e eu não podia fingir que não.

A: Fala para mim sobre o significado do nome “Petals for Armor“, por favor.

H: Petals for Armor é uma parte da letra de SIMMER. Há um tempo atrás, eu fui a uma massagista crânio-sacral, talvez algumas pessoas considerem isso como medicina holística ou algo do tipo, mas eu aceito toda ajuda que eu recebo. Estava deitada na maca e, de repente, comecei a ter essa visão assustadora e estranha de flores crescendo de mim e não de uma forma bonita, era muito doloroso e muito grotesco, mas eu meio que percebi que, naquele momento, havia muita coisa tentando sair de mim, mas doeria fazer isso. Acho que, para mim, é como um mantra tentar me manter tranquila em um mundo muito, muito duro. Sentir dor, e sentir tudo vindo para você… Tentar colocar para fora algo que pode redimir tudo isso… Mesmo que seja horrível no começo. Então, sim, a letra é wrap yourself in petals for armor (“envolva-se em pétalas para se proteger) porque eu senti que a maneira de melhor me proteger é estar vulnerável e estar em paz com a dor. Estou aberta a deixar todas essas coisas entrarem e saírem de mim, para que assim eu possa sobreviver ao mundo de maneira mais fácil do que se eu encarasse isso de uma forma mais dura, com os punhos para cima. 

A: A música, em termos de letra… É possível escutar você lutando contra os seus impulsos. Escrever uma música assim é catártico para você? Quando você se volta para a música, você concluiu que chegou a algum lugar com ela, sentindo que pode encarar as coisas mais facilmente?

H: Essa música é um choque. Eu realmente pensei “ah, só vou escrever. Eu tenho muita raiva, eu me sinto muito, muito brava, eu passei por coisas que me fazem sentir raiva, eu testemunhei coisas que não são justificáveis e eu estou brava… Tudo no mundo inteiro deveria estar nos fazendo sentir raiva agora”. De qualquer forma, essa música me ajudou mas também me surpreendeu, porque o que pensei que seria apenas uma música pesada sobre raiva e se tornou pontos específicos de gatilhos para mim – acho que é quando o segundo verso vem à tona. A chei que essa era uma das mais fortes para o álbum.

A: Você acha que poderia escrever dessa forma se não tivesse parado a correria do Paramore?

H: Não, não, e não tem nada a ver com a banda, porque eu acho que estamos aprendendo, quer dizer… Nos tornamos adultos juntos e essa é uma forma diferente de nos relacionarmos com a nossa dor e as nossas vitórias. Não nos relacionamos com nós mesmos da mesma forma que fazíamos com 13 anos, sabe? Então acredito que, quando chegar o momento de criar o próximo álbum do Paramore, existirão letras tão transparentes quanto, e com sorte também virão junto esses sentimentos viscerais. Essa pausa foi muito importante para mim, como uma mulher vivendo na minha própria pele e, pela primeira vez, não estou negando as coisas que eu sinto e onde estou, atualmente. Tem sido muito trabalhoso e ainda não acabou. Você continua fazendo da maneira certa e você continua tentando melhorar, mas, sim, foi muito necessário.

A: Ei, eu preciso perguntar o que as pessoas que eu tenho conversado o dia todo me mandaram… Você vai levar isso para os palcos? Você já pensou tão longe? Como será na estrada? Você vai para a estrada?

H: Sim, eu vou! Eu estou assustadíssima e serei bem franca a respeito, porque ainda não pensei direito. Estou aterrorizada por fazer isso sem os meus irmãos, sem os meus garotos. Joey estará comigo, como fazemos nas turnês do Paramore. Ele é um dos meus melhores amigos, porém será uma experiência nova e diferente. Estou animada para ver como vai ser. Só que vou sentir falta de olhar para trás e ver o lindo rosto do Zac [risos]. O bom é que ainda não está determinado, está um pouco distante. Nós estávamos rindo ontem porque ainda estamos no estúdio trabalhando em coisas que não serão ouvidas por mais algum tempo, e o Zac entrou no estúdio e eu estava trabalhando com o Taylor, e ele disse “eu vejo vocês mais em Los Angeles do que vi em casa, em Nashville” [risos]. Eu sei que é vergonhoso porque quando estamos lá nem eu e nem o Taylor saímos de casa. Enfim, eu estou triste de uma forma estranha por ir para a turnê e não estar com o meu pessoal, mas eu também estarei com vários deles. Enfim, alguns da nossa equipe participarão e, sabe, nós não temos todas as datas fechadas ainda, mas está acontecendo, okay? 

A: Incrível! Então, o álbum se chama… Estou certa se falar que o álbum se chama Petals For Armor? É esse o nome do álbum?

H: O álbum se chama Petals for Armor, é confuso porque eu… Eu fiz uma conta no instagram que é Petals for Armor. A verdade é que eu não quero ver meu nome mais vezes do que eu já vou ver, então eu fico falando para a minha equipe que é Petals for Armor, não Hayley Williams, em nenhum merch, só Petas for Armor. O álbum sai em Maio, no dia 08 de Maio.

A: Uhul!

H: Sim! Então, eu estou tão animada por isso, meu deus! Fiquei nauseada por um ano e finalmente deixei isso sair, sabe?

A: Yeah, quero dizer, é uma música incrivelmente excelente.

H: Obrigada!

A: Me fez ficar tão animada por tudo que você trará para nós esse ano.

H: Obrigada. 

A: E como fã, obrigada por nos trazer mais música. Estamos felizes por isso. Então, obrigada.

H: Obrigada, eu agradeço muito.

A: Eu agradeço o seu tempo e honestidade. Muito obrigada.

H: Sem problemas!

A: Nós vamos tocar mais uma vez, Hayley Williams, desculpa por dizer o nome, mas é verdade.

H: Obrigada.

A: SIMMER a sua Hottest record in the world de novo!

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Tradução e adaptação: equipe do Paramore BR