Hayley publica carta sobre o primeiro aniversário do “After Laughter”

Hoje, 12, o quinto álbum de estúdio da banda, “After Laughter”, está completando um ano de lançamento. Em comemoração, Hayley publicou uma carta na qual compartilhou momentos e sentimentos sobre o álbum e sua vida pessoal. Confira abaixo traduzido.

Engraçado, eu não precisei olhar meu celular para saber que dia é hoje. Normalmente não tenho ideia de que dia é, a não ser quando tenho um calendário do Paramore abaixo da porta do meu quarto de hotel ou quando é aniversário de algum amigo próximo. Estou tentando melhorar nisso pois parece ser uma coisa adulta a se fazer. Mas sei que dia é hoje pois hoje é um aniversário muito importante.

A essa hora, ano passado, eu estava mais perdida que um ganso. Eu estava aterrorizada e muito confusa. Ainda assim, eu estava muito orgulhosa e entendi que a dor que praticamente está prometida a todos nós não tinha me nocauteado. Ao menos até então.

Eu estava orgulhosa de Taylor, meu parceiro de crimes com coração de ouro, por conduzir meu navio que há alguns meses antes parecia estar afundando de propósito. Eu estava [orgulhosa] da nossa capacidade de carregar esperança e dor de uma vez só e tentar honrar as duas coisas. Muitas lágrimas de gratidão foram derramadas dos meus olhos insones que têm sido decorados com olheiras desde que completei 26 anos.

Grande parte dos meus dias da última primavera passei com Taylor e Zac – que voltou como um raio à minha vida na corrente de várias orações que Deus me ensinaria sobre perdão e sobre restauração até no meio de grandes perdas. Nos sentamos em uma varanda, conversando sobre o tempo que passamos na ausência da companhia mais consistente um do outro… E eu tentei me lembrar do porquê nunca conversamos daquela maneira antes. Mas naquele tempo não estávamos prontos, eu acho.

“Eu acho” era algo que eu amava dizer quando era pequena. Existem gravações minhas na Disney World quando eu tinha uns 4 ou 5 anos começando cada frase assim, tipo “eu acho que escolherei o macarrão” ou se me perguntavam alguma coisa… Nunca um sim ou um não, apenas “eu acho”.

Isso importa para mim pois no último ano – com a minha decisão de descolorir o cabelo – eu tive um doce e acidental retorno à forma. Pode ter sido meu Retorno de Saturno. Ou minha coragem de finalmente desabafar e me desprender de coisas e pessoas que não eram mais saudáveis para mim.

Antes da nossa primeira turnê do ano, minha mãe me deixou um bilhete muito especial que dizia: “é uma loucura vocês terem nomeado o álbum com qualquer coisa que tenha a ver com ‘riso’ pois nos últimos meses eu pude ouvir seu riso novamente. Aquele riso que você dava quando era mais nova. Incontrolável, contagiante, que toma conta do seu corpo. E é desta maneira que eu sei que você está bem”.

Então hoje – um ano inteiro depois do lançamento do nosso 5º álbum, o que eu gostaria de dizer é:

Às vezes me sinto tão perdida e confusa quanto me sentia há um ano. Mas há risos agora assim como havia no meio daquela pesada nuvem cinzenta. E quando aquela nuvem ameaça escurecer toda cor bonita e brilhante que nos esforçamos tanto para ver… Às vezes eu a permito. Dou boas vindas, até. Mas acho que me sinto um pouquinho mais esperançosa de que isso logo vai dar lugar a outra coisa. Talvez não seja a luz do sol. Talvez seja apenas um riso. Um riso gigante, feio, que toma conta do seu corpo. E vou esquecer de me preocupar. Esquecer de me importar. E simplesmente estar exatamente onde estou, esperançosamente com alguém ou algo que eu amo (ainda estou aprendendo a arte de que solidão > isolamento).

E quando eu encontrar meus amigos mais queridos lutando para escaparem daquela nuvem, tentarei dar o meu melhor para me sentar com eles, chorar com eles e deixá-los sentir. Pois aquela nuvem também dará lugar a eles. Acredito nisso agora, mais do que antes. Mais do que eu costumava pregar.

O que mais importa é que não somos forçados a nos sentar, levantar ou dançar sozinhos debaixo dessa nuvem. E quando há risos, alguém – ou várias pessoas! – que amamos está/estarão lá para testemunhar isso.

Obrigada – a qualquer um – por apoiar esse álbum. Isso significa muito. É claro que significa. Com sorte, esse álbum ajudou de alguma forma a confortá-los em momentos que não estavam tão confortáveis. Com sorte, que ele consiga continuar a fazer isso. Com sorte, vocês conseguirão ler essa caligrafia abandonada por Deus.

Vejo alguns de vocês logo logo em um lugar onde poderemos dançar – nuvens de chuva que se danem! – e celebrar juntos, nossas vidas, com o AL [After Laughter].

Tradução e adaptação: Paramore BR