Racked: Hayley Williams e o poder de cura dos cabelos coloridos

Em entrevista ao site Racked.com, Hayley comentou sobre coloração de cabelos e a relação disso com seu emocional, cuidados com a pele, produtos que gosta e mais! Leia traduzido.

Hayley Williams do Paramore e o poder de cura dos cabelos coloridos
E o que ela aprendeu com a sua batalha contra acne.

Os últimos anos têm sido emotivos para a líder do Paramore, Hayley Williams, para o melhor e para o pior. Sua banda lançou o seu quinto álbum, After Laughter, em maio para aclamação da crítica; apenas dois meses depois, Williams anunciou o divórcio do seu marido Chad Gilbert do New Found Glory. After Laughter é o primeiro trabalho lançado pelo Paramore após a saída dramática de seu baixista e um dos fundadores, Jeremy Davis, em 2015, mas também o primeiro com o feliz retorno do baterista Zac Farro no começo deste ano.

Os recentes altos e baixos de Williams se refletem em suas músicas: faixas como “Hard Times” e “Fake Happy” são construídas sobre grandes e otimistas refrões pop, mas suas letras falam sobre a depressão e incerteza que a atormentaram ultimamente.

Já para uma indicação mais visual de onde a cabeça de Williams está agora, bom, basta olhar para a sua cabeça: a cantora e compositora é quase tão conhecida por seus cabelos de cores vibrantes quanto por sua música. Sua paixão por cabelos coloridos levou ela a lançar a goodDYEyoung, uma linha de tintas veganas de cores extremamente vibrantes, com seus amigo de longa data, o cabeleireiro e maquiador Brian O’Connor, em 2016. Esse mês a dupla lançou também a Poser Paste, um produto na linha use-e-lave ao catálogo da marca.

Mas cabelo neon, assinatura de Williams, que já foi de todas as cores entre o laranja e o verde, agora é de um tom sutil de loiro — o motivo, como ela mesma conta, “Eu precisava me ver como alguém diferente daquela garota nos artigos e matérias, a garota no verso dos CDs”. Além disso, ela também fala em como estar loira tem ajudado no seu processo de cura, seus produtos favoritos de beleza, e a razão pela qual ela é meio que agradecida por ter tido problemas com acnes.

Como você começou a se interessar por cabelos coloridos?

Por ter crescido em Mississippi, eu nunca me senti como as outras garotas da minha escola. Eu sabia que eu era diferente; eu olhava para as pessoas no TRL para ver como eles estavam vestidos e o que eles estavam fazendo. Eu amava TLC, Christina Aguilera, Gwen Stefani, Vitamin C — todas essas mulheres que elevavam a beleza ao máximo e se expressavam através de seu visual. Honestamente, Missy Elliott vestida com sacos de lixo será para sempre o meu momento. Eu era tão jovem quando aquele clipe foi lançado que eu não entendia padrões/ideais de beleza ou aquela expectativa de como as mulheres deveriam aparentar; eu não conseguiria dizer a você o que a palavra “sexy” significava. Tudo o que eu vi era uma mulher que eu reconhecia como poderosa, uma mulher que não dava a mínima. Isso mexeu comigo para sempre.

Quando minha mãe e eu nos mudamos para Nashville, ninguém me conhecia, então eu tive um novo começo. Eu disse à minha mãe que eu queria brincar com a cor do meu cabelo, e quando eu tinha quase 12 anos, ela me levou para tingi-lo. Eu não gostei da cor, entretanto, porque ela não era divertida [risos].

Depois que eu conheci os meninos [os membros originais do Paramore, Josh e Zac Farro, e Jeremy Davis] e comecei a escrever músicas, nós pudemos ir para Walgreens, ou CVS, ou Rite Aid ou qualquer outra loja, eu fui e comprei uma caixa de tinta de cabelo. Uma vez, nós todos pintamos nossos cabelos de preto; aquilo foi um pesadelo.

Minhas favoritas [tintas de cabelo] sempre foram as de tons avermelhados, porque nunca dava para saber como seria o resultado final: às vezes poderia ser rosa, às vezes como um batom vermelho. Porém chegou um tempo no qual eu não conseguia achar cores que quisesse. Eu tinha por volta de 17 anos, eu entrei em um lugar chamado Pink Mullet, onde Brian era funcionário na época. Eu falei para ele “Eu quero ficar parecida com um palito de fósforo: vermelha no topo, com um amarelo-dourado nas pontas”. E ele fez isso!

Eu estava com esse cabelo no nosso vídeo de “Emergency”, e depois fizemos uma versão meio que como de história em quadrinhos disso para o clipe de “Misery Business”. Esses visuais eram aqueles que meu eu de 10 anos, expectadora do TRL, gostaria de ter.

Desde então, você teve incontáveis cores malucas. Por que você decidiu platinar o cabelo esse ano?

Mais do que qualquer coisa, a cor do meu cabelo mostra como eu estou emocionalmente. E [nesse ano] eu desesperadamente precisava de um descanso. Por conta de onde eu estou na minha vida, eu precisava sentir como eu tivesse feito alguns movimentos e ficado mais velha. Eu precisava sentir e ver algum progresso —  ver uma versão reduzida a nada então para eu poder aprender sobre mim mesma novamente.

O cabelo loiro me fez ver o quanto eu sempre me vesti de acordo com o meu cabelo. Tipo, eu amo usar cores, mas como eu sempre tingia meu cabelo com todos esses tons de laranja e vermelho, eu nunca me vestida de vermelho; para o ciclo deste álbum, eu tenho usado muito vermelho. Eu realmente penso que cada cor tem um tipo de emoção associada, e o vermelho corresponde ao quanto eu me sinto na maioria do tempo — apaixonada, e toda a intensidade. Mas eu nunca tinha vestido essa cor antes, e eu estou amando como ela fica com o meu cabelo platinado.

Pensando agora, é engraçado: eu passei o laranja da Poser Paste essa manhã e falei para o Brian, “Sabe de uma coisa? Eu meio que sinto saudades de pintar meu cabelo!”. Para mim, este é o primeiro sinal de que eu estou ficando saudável novamente. Isso não quer dizer que já está na hora, mas é bom saber que isso ainda está em mim.

Sei que é fã de produtos de beleza naturais. Como se interessou por isso e quais são seus produtos favoritos?

Desde meus 20 anos, tenho lutado com a minha pele. Durante minha adolescência, foi tranquilo; eu nem me importava de aparecer na câmera sem maquiagem, às vezes! Foi quando viajamos [a banda] para o Japão que comecei a me apaixonar por maquiagem – e cerca de dois anos atrás, minha pele pirou. Claro, coincidiu com a situação entre os membros da banda. Comecei a ter problemas dermatológicos aleatórios e isso me mostrou que meu corpo estava me dizendo alguma coisa.

Um dos primeiros produtos naturais que testei foi o RMS concealer, e naquele momento eu não sabia muito sobre cuidados com a pele de forma orgânica. Ele é feito com óleo de coco e me lembro de pensar, “Por que estou passando óleo em minha pele oleosa?.” Além disso, naquele verão, eu estava na Warped Tour e passava o dia suando, todos os dias. Mas quer saber? Me ajudou e não aumentou o problema. Então pensei “Okay, tem algo aqui!”

Quando mudei para Los Angeles, conheci Adina Grigora, a pessoa que fundou a S.W. Basics. Ela começou em sua cozinha no Brooklyn; agora, ela está na Target e Goop. Nos conhecemos bem no começo, sua marca ainda se chama Scout. Adina me ensinou bastante: li seu livro e coloquei seus produtos em minha rotina. Compro bastante na Citrine Natural Beauty também.

Tem uma clínica de estética em Nashville chamada Karee Hays e seus produtos são incríveis; acho que uso as bandagens de ácido salicílico uma vez por dia ou por semana, depende de como está minha pele. Se começar a descamar muito, vou até lá para uma limpeza facial.

Para o cabelo, gosto do Kevin Murphy, sempre. Brian me apresentou a ele há 8 anos e tenho usado seus produtos desde então. O Repair Me é uma linha ótima para cabelos descoloridos e a máscara é maravilhosa. Gosto de usar o Blonde Angel, um shampoo roxo muito cheiroso. Na verdade, eu não posso usar produtos que tem perfume; me dá dor de cabeça. Então prefiro os óleos essenciais em todas as tintas da goodDYEyoung – e a inspiração para isso veio, provavelmente, do Murphy.

Também gosto de utilizar óleos em ambientes, como em minha casa e no ônibus de turnê. Nós usamos muito incenso.  Usamos muito óleo essencial de Frankincese. Falando nisso, tenho dois amigos que sofrem de doenças auto-imunes e usam como perfume, além de tomar como remédio mesmo; eles dizem que alivia vários sintomas. Tem uma empresa chamada Ambre Blends, eu amo – eles fabricam 5 diferentes cheiros, não sei dizer qual eu uso mais, só sei que são todos ótimos. Mas reforço, eu nunca saberia nada sobre isso se eu não tivesse tido problemas com a minha pele. Ter acne me fez questionar, portanto, tenho muito conhecimento agora. Alguns dias eu até agradeço por ter passado por isso – mas não sempre. 

Tradução e adaptação: equipe do Paramore BR | Fonte