Paramore é entrevistado pela NPR

A banda esteve nos estúdios da National Public Radio participando do programa All Things Considered para conceder uma entrevista em promoção do quinto álbum de estúdio, “After Laughter”. Confira traduzido:

Quando os tempos são difíceis, o Paramore recorre à vibração dos anos 80!

Paramore era descrito como emo, pop-punk, grunge e rock – mas, independentemente do gênero, o adjetivo “contagiante” sempre se aplicou às suas músicas. O mesmo pode ser dito sobre o último lançamento da banda de Tennessee, After Laughter. Inspirado pelos sons dos anos 80, o álbum é preenchido com sintetizadores e vitalidade.

“Quando estávamos começando a escrever, era verão e… Eu só queria fazer groove”, disse o guitarrista principal, Taylor York. “Eu estava ouvindo um monte de Afrobeat e nós estávamos ouvindo muito New Wave, como The Cure e Talking Heads. Nos anos 80, principalmente no início dos anos 80, havia tanta polirritmia, tantas batidas legais e a forma como as melodias dançavam entre si [era] realmente inspiradora”.

Mas mesmo que o som de After Laughter seja animado, suas letras são sombrias. Afinal, o Paramore enfrentou diversas disputas e lutas – um processo, dissuasões públicas, membros da banda indo e vindo – desde que se formou em 2004. A vocalista Hayley Williams falou abertamente sobre a sua luta contra a depressão enquanto o baterista Zac e seu irmão Josh deixaram o Paramore em 2010. (Zac, recentemente, se uniu a banda mais uma vez).

Lakshmi Singh, da NPR, falou com Williams, York e Farro sobre a criação do After Laughter, a partida e o retorno de Zac e como cada integrante da banda entende a fé à sua maneira. Ouça a conversa no link do áudio e continue lendo a transcrição editada.

Lakshmi Singh: Falem um pouco sobre a escrita e produção de Hard Times. Parece muito feliz, mas se você escutar a letra, percebe que é uma música emocionalmente difícil.

Hayley Williams: Sim, o álbum todo tem muito disso… Não creio que possamos ter terminado um álbum, pelo menos liricamente, que combina com o tom da música. Mas eu acho que falar sobre esses sentimentos e emoções acrescentou ainda mais profundidade. Quero dizer, obviamente há muita coisa na música e foi interessante colocar em palavras esses sentimentos. Mas agora, você escuta e é como: “ah, cara, graças a deus”. Porque eu realmente não quero cantar essas palavras sobre coisas que soam tristes. Eu acho que todos nós seríamos miseráveis.

LS: Zac, você e seu irmão, Josh, deixaram a banda em 2010. Foi uma separação altamente divulgada. Por que você saiu e por que agora é o momento certo de voltar?

Bem, meu irmão e eu deixamos a banda em 2010 por muitas razões similares, mas também muito diferentes. A maior razão, para mim, é que comecei com a banda quando eu era muito novo. Eu tinha, você sabe, 13 anos quando começamos realmente a tocar e aos 14 já era algo que tomava completamente o meu tempo. Então, eu meio que sentia que não havia luz no fim do túnel para mim, para eu ter minha própria personalidade. E eu não senti que as minhas atitudes em relação à banda eram boas e também não sabia lidar com ela. Por isso, pensei que o melhor seria me retirar. Muito tempo passou, e eu vivi muita coisa que eu precisava viver. Mudei para a Nova Zelândia por um tempo e acabei de ter um momento de mudança em minha vida. Mas tudo colidiu novamente quando eu e o Taylor voltamos a nos tornar melhores amigos. Nós sempre fomos melhores amigos, na verdade, mas tivemos fases esquisitas em nossas vidas e ficamos sem nos falar por um tempo. Tem sido essa coisa estranha consistente, então mal posso esperar pelos próximos anos, já que não nos falaremos. (Risos).

LS: Ei, aparentemente, há uma benção em uma pequena distância…

Sim, totalmente. Muitas bênçãos por onde quer que você olhe…

LS: Ao longo dos anos, vocês mencionaram bastante a fé de vocês. Vocês não se dizem uma banda cristã, mas têm fé. Como vocês acham que a fé ajudou a manter todos vocês juntos?

Taylor: Penso que quando nós éramos mais jovens costumávamos ter uma voz mais unificada em termos de, exatamente, como falaríamos sobre fé. E eu não sei se temos tanto disso hoje, mas acho que temos mais confiança e unidade dentro da nossa banda e uma maneira mais particular de discutir e reconhecer isso. Para nós, penso que nossa fé é parte do nosso propósito e o motor que nos mantém em pé. Às vezes isso é subconsciente, às vezes é consciente. Estamos sempre tentando descobrir… Descobrir o que falar sobre isso e no que realmente acreditamos sobre isso.

LS: A depressão é algo tão proeminente nas letras das músicas deste álbum. Mas a fé parece ser um tema central também. O que isso significa para você, pessoalmente?

Hayley: Sabe, acho que o que devemos lembrar é que nós somos seres humanos e com isso vem muita coisa – e isso às vezes é uma porcaria… Nós todos temos as nossas montanhas e nossos vales. Em alguns momentos você acorda e está no fundo, no ponto mais baixo. E, em outros dias, você trabalha seu traseiro para chegar ao pico da montanha e poder olhar para tudo o que sobreviveu. Mas, para mim, o mais importante é lembrar que eu não cheguei a esse pico sozinha… Estamos em um ponto agora entre nós três como amigos, onde estamos bem com as nossas experiências individuais com Deus, vida, música, interações, seja lá o que for. Experimentamos a nossa fé um com o outro à nossa maneira.

A entrevista pode ser ouvida neste link (em inglês).

Tradução e adaptação: equipe do Paramore BR | Fonte