Billboard publica análise do “After Laughter”

A Billboard analisou a nova direção da banda em seu quinto álbum, comentando os ritmos, as letras e as influências. Confira traduzido!

‘After Laughter’ do Paramore troca o passado pop-punk da banda por uma chance de atingir o Top 40

O quinto álbum da banda originada em Nashville foi lançado hoje pela Atlantic/Fueled By Ramen.

Onde você vai depois de seu “álbum maduro”?

O último álbum do Paramore chegou em abril de 2013, um esforço autointitulado que chegou com uma inescapável narrativa da saída tumultuosa de dois membros da banda. Cerca de meia década se passou desde que a banda se tornou popular, e o pop-punk se tornou banido do top 40; o gosto da juventude suburbana se alterou para algo que os velhos chamam de “EDM”, também conhecido como a área em que o cantor de “From First to Last” (Skrillex) se especializou. “Harlem Shake” do Baauer acabava de terminar as suas cinco semanas no topo da Hot 100.

O Paramore persistiu. Um álbum com 17 faixas, recheado com interludes, ukulele e a última música com oito minutos parecia um absurdo para uma banda na qual todas as músicas estavam entre três e quatro minutos e meio. Deixando a duração de lado, o álbum foi bem sucedido em um espectro de estilos e convenceu os mais céticos de que o Paramore não era tão diferente de outras bandas consideradas legais – o que dizem sobre o Yeah Yeah Yeahs e Best Coast – tal como pensavam antigamente. Vendeu mais de 500.000 cópias nos Estados Unidos – e por ser tão maduro e tal, produziu o primeiro hit da carreira a atingir do top 10, acompanhado por um coral gospel cantando sobre “viver no mundo real.” Paramore também continha uma música literalmente intitulada “Grow Up” (Crescer), e relatou sobre a perda dos membros antigos logo no primeiro verso da primeira música: “Passei por momentos difíceis algumas vezes / Saí insensível e cruel / E meus dois amigos sabem disso muito bem / Porque eles também passaram por isso”.

Quatro anos mais tarde, Paramore está de volta, perdendo mais um daqueles amigos, mas acrescentando outro que, ironicamente, deixou a banda durante o conflito que inspirou aquela letra. A vocalista Hayley Williams, o guitarrista Taylor York e o novo/velho baterista Zac Farro passaram da fase constrangedora, se estabelecendo na fase adulta do Paramore. Em After Laughter, Paramore enterra suas tendências pop-punk completamente, em troca de músicas pop alternativas perfeitas, beijadas pelo sol e que estariam em casa perto de “Shape of You” e “Passionfruit” nas rádios de músicas atuais, mesmo com uma pegada New Wave do ínicio dos anos 80 – e uma sofisticação e experimentação atrelada a isso.

É uma fase adulta e que mostra a banda cada vez mais descontraída, consciente de si, e talvez sarcástica: A vida não faz sentido, então se obrigue a fazer um. O nome do álbum é algo soa como uma música do OK Computer (álbum do Radiohead). Introduza-o com um single ótimo (e um visual estético) remanescente de onde a banda Radiohead escolheu o nome (Talking Heads). Acrescente baladas acústicas, músicas que estourariam nas rádios alternativas e uma música enigmática toda falada e que não se pareça com nada na discografia. Você está prestes a perder alguns de seus amigos antigos; poderá também dispensar aqueles que estavam contigo durante todo o tempo.

Em meio às intrigas e a ambiguidade encontra-se a realidade. Fãs que se perguntaram “ONDE ESTÁ O MEU ROCK?” quando “Ain’t It Fun” se tornou popular estão prestes a serem deixados para trás. Paramore ainda se parece com uma banda de rock nas músicas que são regidas pela guitarra, mas aquele rock certeiro de “Now” e “Ignorance” é coisa do passado. O ponto ideal da banda está em músicas pop vigorosas, repletas de baixos e sintetizadores – podemos até dizer tropical – que vão da era Tango In The Night do Fleetwood Mac (“Forgiveness”) até o new wave absolutamente aquoso (“Pool”) que banha a voz de Williams em uma distorção cristalina. Existe um ponto na bridge de “Told You So” em que é possível sentir a euforia de “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”. Na verdade não, mas ei.

Liricamente, vamos dizer que abrir com uma música chamada “Hard Times” (Tempos Difíceis) é uma previsão bastante certeira. Williams canta sobre o ato de chorar em nada menos que cinco músicas, e existem vários momentos – particularmente uma música chamada “Grudges” (Rancores) – nos quais ela pode estar direcionando para a saída nada amigável e subsequente emaranhado legal do antigo baixista Jeremy Davis.  Uma versão daquela angústia sem filtros de que estamos familiares desde o primeiro verso de “Misery Business” ainda resiste, mas se tornou mais velha, sábia e consciente – embora menos específica – que tende a se desenvolver uma vez que eles estiveram vivendo o mundo real e viram algumas merdas, e suficiente para perceber que todo mundo também já passou por isso. Ouvindo After Laughter, alguém pode projetar as lágrimas de Williams a Davis, seus amigos, sua família, ou os próprios amigos e a própria família. Conhecendo o quanto Wililams gosta de agradar o público, este deve ser provavelmente o ponto.

Assim como Paramore, After Laughter foi produzido por York, junto com Justin Meldal-Johnsen, um aficionado por pop alternativo que produziu os últimos dois álbuns do M83 e que se torna relevante aqui. “Midnight City” foi uma música synthpop que poderia ser tocada em rádios alternativas, em contrapartida, o Paramore se transformou em uma banda de rock equipada para atingir o ecossistema repleto de batidas que é o Top 40. Eles deixaram claro sobre a influência no Tame Impala, uma das bandas de rock mais bem recebidas em 2017. Você pode ouvi-la por toda a parte em After Laughter, especialmente no baixo – um instrumento tipicamente enterrado no processo de mixagem das músicas do Paramore – esticando as pernas e indo passear pelas faixas como “Hard Times” e “Idle Worship,” que foi gravado no álbum por Meldal-Johnsen.

Entretanto, nem tudo é céu azul e pop. “No Friend”, a penúltima faixa, é facilmente a música mais estranha já feita para um álbum do Paramore. Ela acompanha Aaron Weiss, líder da banda de indie rock mewithoutYou (e uma das bandas favoritas de Williams), frenética, uma poesia quase apocalíptica sobre um rock rápido. No princípio as palavras são quase inaudíveis, no final da música, ele está praticamente cantando solo sobre segurar um casaco em meio a um rio, embaixo de uma cachoeira, com um amigo gritando para ele. Segundos depois, o álbum está acabando com a doce balada no piano “Tell Me How;” é como se o mérito daquele estranhamento não estivesse preocupado se aquilo funciona, mas sim para checar e ter certeza de que está ouvindo o álbum certo.

De certo modo, After Laughter ganhou o público antes mesmo que eles tivessem a chance de ver seus cortes profundos. Desde o sucesso surpresa de Paramore, a banda passou a gostar da aceitação de público e crítica, que supera praticamente todo mundo que esteve no circuito de 2005 da Warped Tour. O ciclo deste álbum começou com um perfil na edição de domingo do The New York Times e uma cobertura por parte da Pitchfork, coisas que definitivamente não aconteceriam uma década atrás, quando a banda estava começando sua ascensão. “Hard Times” foi recebida de braços abertos pela crítica e, apesar de ser uma música excelente, marca uma mudança no paradigma de como o Paramore é recebido. Riot! recebeu certificado de platina um ano depois de seu lançamento mas é amplamente ignorado ou rejeitado pelo gosto popular atual.

Então o que mudou? Ter fãs antigos que simplesmente cresceram e adquiriram mais voz? Ter pessoas que gostavam do visual emo de antigamente? Estamos mais conscientes da falta de mulheres nos gêneros musicais mais populares?  Existem apenas poucas bandas de rock para reinar atualmente? O que quer que seja que o mundo esteja pensando, o Paramore se segurou nessa barganha. “Hard Times”, “Told You So”, e vários outros singles em potencial (e aí, “Forgiveness”) pelo menos parecer estar preparadas para ocupar o lugar que sobrou para as músicas com guitarras nas rádios pop. No álbum após o seu álbum mais maduro, a identidade única da banda finalmente emerge mais forte que nunca, preparada para ser o pivô em vários aspectos no âmbito do rock/pop. Alguém terá que ensinar para estas crianças que maturidade não é sempre uma coisa ruim.

Tradução e adaptação: Paramore BR | Fonte